Tipografia Roberto Rossini

Foi só alguns anos depois de ter conhecido Seu Roberto que pude registrar algumas das suas histórias que eu ouvia quando ia até sua gráfica, realizar um ou outro pequeno trabalho. A entrevista finalmente aconteceu num momento delicado de sua vida, com a perda prematura de seu filho Ricardo Bruhns Rossini, que o acompanhava no trabalho da gráfica e que estimulou-me a realizar este projeto durante conversas meses antes de falecer.

1 2012-12-10-17.13.12 2012-12-10-18.41.38 IMG_4659 IMG_4662a IMG_4692 IMG_4699 IMG_4712  IMG_4733-MODELO-CORTE-FOTO IMG_4755 IMG_4759 IMG_4783 IMG_4936 IMG_8484 IMG_9057

R O B E R T O  R O S S I N I

“Nasci na Lapa de Baixo, em 1926. Sou filho de italiano. A vila de cá tem mais de 200 anos. Isso aqui era fazenda… Os meus avós vieram como imigrantes italianos. Todo mundo que veio da Itália, no vapor que veio minha avó, uma parte veio pra Lapa, uma parte foi pra Santa Gertrudes, uma pra Rio Claro, uma pra Campinas. Foi dividindo nas fazendas que eram de dono italiano.

* * *

A Lapa era uma fazenda; por exemplo, a Lapa de Baixo tinha bastante plantação, toda aquela parte da Rua Clélia, lá pra cima, da Água Branca até as Perdizes, lá era tudo plantação de café, do próprio Matarazzo. Onde é o Cemitério da Lapa tinha cultura de goiaba, eles plantavam um negócio em cada pedaço, que era do próprio dono, que era italiano. Por exemplo, Lapa, Brás, o centro da cidade, Cambuci e um monte de lugar era tudo italiano. A Sorocabana foi feita por cara italiano. Pedreiro italiano, né? Era coisa de arte que eles faziam antigamente.
Aí, a minha avó veio pra cá, já casada. Veio pra cá, trabalhar na fazenda, e tinha plantação de tudo aqui na Lapa; na Lapa de Baixo tinha bastante fruta, tinha bastante pé de uva; vinham da Itália as mudas de uva.
Tinha três coisas que davam emprego aqui: a estrada de ferro, que era inglesa. Depois era a Indústria Martins Ferreira e a Fábrica Tecido Bordado Lapa. Muita gente que morava aqui trabalhava na estrada de ferro. Tinha uns maquinistas aqui da Lapa de Baixo que morreram em Santos, o trem despencou, quebrou o cabo. Matou um monte de gente.
A fábrica do Martins Ferreira, que era português, ficava aí na quadra ao lado: faziam prego, até banheira, aquelas bacias de ferro, esmaltada. Antigamente não tinha chuveiro, a gente tomava banho naquelas bacias grandes… Tinha a Tecido Bordado Lapa; o dono era italiano, fazia cretone, sabe cretone? Tudo que é de cama e mesa, eles faziam lá. Era enorme, pena que desmancharam o prédio. Depois começou a vir um monte de fábrica de meias.

* * *

Morávamos ali no Largo da Lapa e aqui (onde hoje é a gráfica) morava minha avó e uns inquilinos. Meu pai era carpinteiro, mas depois montou uma fábrica de linguiça. Durante muitos e muitos anos ele ficou com a fábrica de linguiça. Ele vendia pra tudo quanto é restaurante da cidade, levava a cavalo e tinha até carta de habilitação pra dirigir a carroça. Ele fazia codeguim, essas coisas mais sofisticadas, e comprava esses temperos pra fazer linguiça no Mercadão da Cantareira. Minha mãe ajudava, ia lá picar carne, moer a linguiça, era moída à mão; antigamente não tinha as coisas elétricas, era tudo na mão. Depois é que veio o negócio elétrico. Mas antes era tudo na mão…
Quando eu era bem menino, tinha o Parque Infantil da Lapa, esse parque da Lapa de Baixo, da prefeitura. Essa parte aí foi fundada em 1935; há pouco tempo o Secretário da Educação de São Paulo veio fazer homenagem, e eu fui lá pra falar sobre os primeiros alunos do parque. Nesse parque só se fazia educação física; eles davam uniforme, era vermelho, blusa branca e calção vermelho, fazia ginástica todos os dias. Depois, quando você estava com 12 anos, ia pro Clube de Menores Operários… Lá você aprendia boxe, esgrima, tudo quanto era esporte; ensinavam natação, tinha uma piscina, uma piscina mais ou menos grande, nunca ninguém morreu afogado ali e olha que tinha criança pequena… Aí no parquinho, eles davam pão e leite todo dia, uns dias pão com goiabada, com queijo e goiabada, outro dia davam pão com banana, outro dia davam pão com salsicha. E todos os dias tinha ginástica na parte da manhã; a instrutora era ótima. E todo dia tinha que tomar banho; a prefeitura dava toalha e sabão pra turma tomar banho.
Aí tinha um monte de aluno de um monte de bairro vizinho; vinha tudo aí no Parque Infantil. Não sei por que derrubaram um salão enorme que tinha ali…
Todos os dias tinha ginástica, tinha futebol, pingue-pongue e competição de tudo, então competia o Parque da Lapa com o Parque Dom Pedro II, tinha o Parque do Ipiranga, tinha o Parque da Água Branca, tinha um monte de parque infantil.
No parque também, há muitos anos, um sujeito, pai de uns alunos, ensinou teatro pra gente. Então, a gente fez A Branca de Neve e os Sete Anões. Aí, a gente ia apresentar no Theatro Municipal, a turma do parque infantil. A renda era em benefício dos orfanatos. A gente foi um monte de vez representar no Theatro Municipal e a renda era sempre pros orfanatos. E as freiras davam pra gente pulôver, meia, um monte de coisa de presente, porque representava lá.
Agora, todo ano, no Natal, a turma toda ia de bonde caradura até a Praça Ramos, no Theatro Municipal, e eles davam presente… E também, todo fim de ano, em dezembro, davam 25 dias de férias em Bertioga, no hotel 27 de Bertioga. A prefeitura dava de graça. Conheci Bertioga por intermédio da prefeitura da Lapa de Baixo.

* * *

Estudei aqui no Grupo Escolar Guilherme Kuhlmann. Meu tio que construiu o prédio. Na época, o curso ia até o quarto ano. Depois eu entrei no Liceu Coração de Jesus. Entrei no Liceu em 1939. Só podia entrar no Liceu Coração de Jesus quem era formado. Aí um primo meu já estava estudando lá, no Liceu, e me chamou: “Olha, vai ter exame lá no Liceu Coração de Jesus pra aprender ofício.” Então, fui lá prestar exame. Mas precisava ter calça comprida, porque de calça curta não podia entrar no Liceu. Aí, como naquele tempo eu só tinha calça curta, comprei uma calça na José Paulino e pus pra ir fazer exame.
Eles só davam uma caneta pra você fazer o exame, não podia entrar com coisa nenhuma. O exame lá era meio difícil, se não estudava bastante, não passava. Os padres no Liceu eram severos… Por exemplo, se você não aproveitava o estudo, você era expulso do colégio.
Quando entrei, o Liceu Coração de Jesus já tinha mais de 50 anos. A Escola Profissional dos Salesianos era ali. Os alunos da Escola Profissional desfilavam pro Liceu e a fanfarra do Liceu Coração de Jesus era da Escola Profissional, porque tinha curso pra músico, muita gente se formou em música lá. Tinha curso pra sapateiro, curso de alfaiate, tinha curso de tipógrafo, encadernador de livro. Tinha um monte de curso no Liceu. Depois, em 1946, 1947, alguns padres resolveram sair dos Campos Elísios e montar, lá no Brás, a Escola Profissional, mas só com os cursos profissionalizantes, não tinha mais colégio junto.
Toda manhã tinha missa, das sete às oito da manhã, inclusive aos domingos. Da missa você ia pro curso; de manhã era estudo, das oito às onze e meia, era o colegial. Depois almoçava, dentro do colégio, de graça. Tudo era de graça. Depois do almoço tinha as oficinas, de aprender ofício, até as cinco horas da tarde. Era semi-interno, à noite voltava pra casa. A gente aprendia tudo durante quatro anos. O Liceu era bom, porque tinha os chefes, os mestres, a maioria era italiano, os mestres de lá, que vieram da Itália pra ensinar a turma aqui… pessoas que sabiam bem esse negócio de artes gráficas, né?
Quando eu entrei no Liceu Coração de Jesus, meu pai falou assim: “Alfaiate é que tá dando dinheiro! Você vai ser alfaiate!” Eu falei: “Pai, eu não gosto de alfaiate.” Meu pai falou: “Não, é alfaiate”, e ele me pôs lá como alfaiate. Eu insisti: “Pai, mas não gosto de alfaiate.” E ele: “Não, alfaiate!” Bom, aí eu fiquei dois anos de alfaiate, mas eu não gostava mesmo, queria saber das máquinas de impressão, estava apaixonado pelas máquinas de impressão. Aí, um professor de português me falou assim: “Escreva uma carta pedindo pra você ser transferido pro curso de tipografia, pede pro seu pai assinar.” Mas meu pai tinha ido pro interior, pra Santa Gertrudes; ele tinha uns parentes lá… Aí, eu peguei a carta e eu mesmo assinei e entreguei pro padre. O padre falou assim: “Ah, então vai ser transferido pra encadernação, pra encadernar livro.” Pô! Eu saio de costura, de que não gostava, pra costurar livro! Aí, eu escrevi outra carta pra eu entrar na tipografia… O padre então me transferiu pra tipografia, pra fazer chapa. Tinha muito material, tinha até máquina de fazer tipo lá, no Liceu. E depois de fazer chapa, me transferiram pras máquinas que eu queria, no curso de impressor.
Olha, pra ser impressor, depois de muito custo, tive que fazer mais quatro anos de curso. Estudei bastante. E, quando você terminava o ginásio, depois, à noite, você podia fazer o curso superior. Mas eu não consegui… À noite eu não ia, porque já trabalhava o dia inteiro e à noite estudar não dava. Quando terminou o curso eu fiquei ainda um ano lá, empregado no próprio Liceu Coração de Jesus.
No Liceu, eles faziam muito serviço pra fora, por exemplo, Bíblia, faziam lá aqueles impressos pra missa, catecismo, santinho pra primeira comunhão… Faziam também bastante serviço pra Sorocabana (Estrada de Ferro Sorocabana).
As artes gráficas mais adiantadas do mundo eram da Itália e da Alemanha. Hoje em dia é da Alemanha, né? A Itália já caiu um pouco. Mas, na época, todas as tintas e muitos papéis vinham da Itália e da Alemanha. Papéis bonitos, papel telado, colorido, pra fazer convite de casamento… E as tintas de impressão vinham de lá também, em barrica grande. Depois, aqui, eles passavam no moinho pra melhorar a tinta. Em 1940 começaram as primeiras fábricas de tinta do Brasil; surgiu a Cromos, a Bremensis… Hoje tem bastante fábrica de tinta no Brasil. E de papel também… A maior produção de papel hoje em dia é do Brasil. Ultimamente, tem uma superprodução de papel e não tem quem consuma.
Antigamente, só tinha máquina estrangeira, as máquinas Minerva. As primeiras máquinas de impressão eram a pedal: você pedalava, punha o papel e tirava. Santinho de primeira comunhão que a gente imprimia era tudo no pedal. Pra você começar, pra aprender a imprimir era na máquina a pedal, tanto a máquina pequenininha, quanto a grande. Não era muito duro porque, quando a máquina começava, pegava o embalo…

Depois do Liceu, entrei numa firma que ficava na Rua Brigadeiro Tobias, no Centro, uma firma enorme. Saí de lá pra montar uma gráfica com meu primo, o que me levou pro Liceu. Nessa época eu comecei também a trabalhar na Gazeta, à noite, das seis à meia-noite. Quando não tinha notícia de última hora, era tudo rodado de dia, mas, quando tinha, aí esticava, ficava até as duas horas da manhã trabalhando.

Mas ganhava bem como impressor da Gazeta, né? Todo dia eles davam dois litros de leite, tipo A, pra tomar. Mas tinha gráfico que, em vez de tomar leite, jogava o leite fora e tomava pinga! Por isso que o gráfico durava bem pouco tempo, porque a turma enchia a cara de pinga.
Fui juntando um dinheiro pra comprar maquinário com meu primo. Comprei uma máquina, na prestação… e comecei a trabalhar com ele. Mas como na maioria das firmas é assim, quando começou a progredir e estava indo bem a gráfica, ele trouxe a mulher dele, a mãe, trouxe todo mundo pra ganhar da gráfica e não sobrava dinheiro pra mim, poxa! Aí, eu desisti. Fiquei com essa máquina Minerva, que nem estava paga; comecei a pagar depois, e montei a gráfica num barracão, no quintal aqui, no fundo.
E aqui estou há 50 anos. Nunca fiz nada errado, nunca fiz nada fora da lei! Nem fiscal veio, porque sempre dei nota fiscal… Nunca fiz nada fora da lei, não tinha motivo pra baixar fiscalização. Eu sempre trabalhei pra empresa boa, grande, pra laboratório, fazia muita bula e rótulo pra laboratório…

* * *

O serviço hoje tá fraco, tá bem fraco. Nós fazemos mais cartão de Natal e folhinha. A gente fazia bastante nota fiscal da prefeitura pra um monte de firma de Santo Amaro. Mas teve época que a gente só fazia bula. Eu tinha um filho que ficava trabalhando de dia, outro de noite.
O Brás e a Mooca eram o maior centro industrial e comercial de São Paulo; lá se fazia tudo quanto era tecido, tudo quanto era móvel, tinha muita indústria. Mas quem acabou com o Brás foi o próprio governo, porque cobrou tanto imposto, que então a turma foi pro interior, pra outros lugares onde não pagava tanto imposto. O maior governo que teve em São Paulo foi o do Fernando Costa. Fernando Costa ajudava as escolas profissionais, ajudava até o Liceu Coração de Jesus. Foi o melhor governador que teve o Estado de São Paulo. Foi a administração dele que fez o Parque da Água Branca. Ali tinha exposição e feira de gado.
Antigamente, os tipos todos eram feitos na Funtimod; os donos eram alemães. A sede ficava perto da Estação da Luz. A firma era enorme, fazia as máquinas de imprimir, as de cortar, de furar, de fazer picote, fazia os tipos, era tudo feito lá, as caixas de tipo, tudo. No negócio do papel, o que mais tinha era judeu e sírio-libanês. Os papéis especiais vinham do estrangeiro. No Brás tinha bastante revenda de papel; na Mooca, tinha a Cia. T. Janer, que vendia os papéis bonitos estrangeiros; custava uns oito reais cada folha. E também vendia máquinas estrangeiras, fazia revenda. Muitos tipos também eram estrangeiros. Tinha bastante negócio de artes gráficas na Rua das Palmeiras, muitas revendas do ramo gráfico ficavam ali.
Onde hoje é a rádio (Record), na Barra Funda, era um depósito enorme de papel e o dono era italiano, mas 99% eram todos sírio-libaneses, os donos dos depósitos de papel. Na Casa Verde, também tinha depósito de papel. Foi uma pena que o próprio governo estragou as indústrias. Em vez de incentivar a indústria, a ganância deles em ganhar dinheiro acabou com o emprego e agora, lá no Brás, fechou quase que tudo.
Essa tecnologia toda tá acabando com o ramo gráfico. Porque tem muita gente que faz as coisas muito barato, tá estragando a arte gráfica, tá caindo a qualidade. Eu não sei como eles fazem a 20 reais um milheiro de um cartão, se vai 15 de papel, eu não entendo nada desses cartões coloridos. E tem um monte de gráfica fazendo isso aí, né? E o próprio governo, por si só, tá acabando também com o ramo gráfico. Por quê? A prefeitura já não faz mais nota fiscal em papel, só nota fiscal eletrônica. Então, diminuiu o serviço de gráfica de todo jeito, né? Envelope ninguém mais faz, porque é tudo por computador… Então, o ramo gráfico diminuiu bastante o serviço e a maioria das firmas já fechou, até editora está indo pra falência. Tinha duas editoras aqui perto, faliram.
Em São Paulo, tinha mais de 60 mil gráficas; hoje quase que não tem mais nada. Na Lapa mesmo tinha umas 20 gráficas; aqui embaixo tinha umas duas gráficas; na Lapa de cima estava cheio de gráfica, umas cinco, seis gráficas na Lapa de cima; na Rua Clélia tinha gráfica, na Pompeia tinha um monte de gráfica, umas dez gráficas.
O Sindicato, que devia intervir em muitas coisas, parece que não tá fazendo absolutamente nada. As fábricas de papel estão superabarrotadas de papel, porque não tem saída. Em vez de subir, o preço do papel caiu. Ninguém compra porque não tem serviço.
A parte de clicheria também está acabando, só tem uma lá na Zona Norte… O resto fechou tudo. Linotipo também já foi… Não tem mais quase… Linotipo, que eu conheço, só tem lá na Rua do Hipódromo. A fundição de tipo e o linotipo deixavam o cara meio estéril. O chumbo, o antimônio faziam muito mal pra saúde da pessoa. Quem trabalhava com linotipo morria mais cedo, por causa do chumbo. Agora tudo se faz no computador, então não tem mais problema. Linotipo antigamente a gente usava pra fazer bula pra laboratório, né? Mas, depois, como linotipo amassava logo, nós começamos a fazer clichê, aí a gente punha um monte de clichê na máquina, imprimia um monte de bula, mas nós tínhamos uma máquina superautomática, especial, que dobrava bula. Acho que no Brasil a única que tinha era a nossa. Dobradeira, dobrava em dois centímetros. Nós desistimos de fazer bula e rótulo, sabe por quê? Porque os laboratórios começaram a não pagar o preço que a gente pedia… A gente usava muito papel, resmas e resmas… A gente imprimia centenas e centenas de bulas por dia. Entregava nos laboratórios todo dia, por isso nós compramos o Opala. A gente tinha serviço, mas o preço que pagavam começou a ficar muito baixo, não compensava. Desistimos de imprimir bula de remédio. Não fiz mais nada e, de raiva, aquela dobradeira automática, vendi por qualquer preço pra nunca mais fazer bula.

Aí, um diretor de outra empresa grande me falou: “Compra uma máquina Catu que não vai te faltar serviço por aqui.” A máquina Catu era pequena, era a máquina feita aqui no Brasil. Não era boa. E o preço dela… A máquina que vinha do Japão era mais barata que a máquina feita aqui. Aí, eu comprei a máquina do Japão pra imprimir aquele papel fino, tipo manteiga, que essa firma usava. A máquina demorou seis meses pra vir do Japão. E ainda tive que pagar 8 mil de alfândega lá em Santos, que era a obrigação da firma que me vendeu, mas me falaram que, se eu não pagasse os 8 mil, a máquina não saía de lá. Tive que pedir dinheiro emprestado no banco pra pagar. Quando a máquina chegou aqui, o tal diretor foi transferido pra Alemanha, e aí não me deram mais serviço: fiquei com a prestação da máquina pra pagar, dívida no banco e sem serviço nenhum…

Pensei: “O que é que eu vou fazer?” Aí fui pra Santo Amaro vender nota fiscal, tudo quanto é impresso, né? Ia lá, chegava nas firmas, oferecia serviço. Começou a entrar serviço e comecei a pagar a máquina, mas era assim, um mês pagava a máquina, no outro mês pagava imposto e não pagava a máquina, mas a máquina não podia ficar sem pagar porque os juros eram altos, mas deixava de pagar o imposto, depois eu pagava de uma vez só.
Foi duro pra mim pagar essa máquina; a outra, alemã, a Heidelberg, foi fácil, porque tinha bastante serviço na época que comprei.
Teve bastante gente boa que me dava serviço lá em Santo Amaro e, graças também à Vidraria da Santa Marina, eu comecei a levantar de novo. O que vale em arte gráfica é ter a turma certa… Porque, na Lapa, ninguém me dava nada! Santo Amaro, que ninguém nem me conhecia, me davam um monte de serviço.

* * *

Agora tô fazendo o convite de casamento do meu neto que vai casar em janeiro. Mandei fazer um clichê lá na Voluntários. E o papel comprei na Rua da Mooca. Vai ficar bonito.

*

 

G R Á F I C A   R O B E R T O   R O S S I N I
Rua Antonio Fidelis n. 35
Lapa de Baixo São Paulo SP Brasil
t. 11. 3611.8979

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